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O desporto na Malveira desde sempre se posicionou num lugar honroso, com particular destaque para o ciclismo que subiu ao pódio do carinho das gentes desta terra. Por aqui as corridas de bicicleta há muito que são alvo de uma paixão genuína, projectando, neste âmbito, a Malveira para reconhecimento nacional.
Pode-se afirmar que o ciclismo na Malveira (como modalidade organizada) terá tido o seu início simbólico em 1936 num evento em Lisboa designado por “Dia da Bicicleta”. Foi nesse dia (15/11/36) que, em pleno Parque Eduardo VII numa concentração de centenas de ciclistas e curiosos, oito jovens ciclistas equipados a rigor, ostentavam cada um, nas suas camisolas, uma letra da palavra que dava nome à sua terra: “MALVEIRA”. Entre eles estava Túlio Pereira que viria a ser um nome grande do ciclismo nacional (e até internacional), e foi precisamente Túlio que ganhou nesse afortunado dia uma bicicleta especial (topo de gama) sorteada entre todos os presentes no evento.
O facto chamou a atenção ao mais importante jornal desportivo da época, o “Sports”, pela originalidade da iniciativa dos oito rapazes e pela sorte ter sorrido precisamente ao corredor que ostentava a letra “M”. A partir dessa data o fervor pelo ciclismo na terra aumentou consideravelmente e Túlio, que já era conhecido na região pelas suas qualidades de trepador, ganhou notabilidade enquanto ciclista amador, passando, em 1937 a fazer parte da equipa Sporting Clube de Portugal (que nesse ano ganhou quase todas as provas em que participou) onde iniciou um percurso de muitos êxitos, tornando-se conhecido respeitado por todos os amantes do ciclismo.
Foi também em 1937 que se realizou o 1º Circuito da Malveira para Amadores, organizado pelo C.R.D.M., prova disputada no percurso utilizado para as “5 voltas a Mafra” (prova à data já com alguns pergaminhos a nível regional) num total de uns difíceis 175 Km.
Em 1940 alguns malveirenses, apaixonados pelo ciclismo e orgulhosos dos feitos do seu conterrâneo Túlio Pereira, fundam oficialmente um clube a que chamaram Atlético Clube da Malveira e, depois de muita luta, em 1942 conseguem organizar o I Circuito Ciclista Independente, contando já com algumas figuras do ciclismo nacional. O III Circuito, em 1944, já foi inserido no âmbito do calendário federativo nacional. Nas décadas de 40-50, com a realização dos circuitos e a passagem do melhor lote de corredores da época por estas terras (merecendo especial destaque as 6 vitórias de Alves Barbosa), criou-se uma espécie de movimento pró ciclismo que gerou uma autêntica aficion da modalidade.
O êxito do Circuito da Malveira continuou ano após ano, em 1960 foi inaugurada nos Campos das Seixas (campo do A.C. Malveira) a famosa pista de ciclismo da Malveira (merecidamente chamada Pista Túlio Pereira) e, pela primeira vez, no dia do XIX Circuito (18 de Setembro de 1960) por aqui se realizaram as primeiras (e muito concorridas) provas de pista.
A Malveira pode orgulhar-se do seu Circuito de ciclismo que se realiza ininterruptamente desde 1942. O ciclismo faz inquestionavelmente parte da génese destas gentes não sendo alheio a este facto ao próprio conceito de espírito de sacrifício e humildade que está associado à modalidade e que se reflecte igualmente na identidade saloia. Disto são exemplo clubes, atletas, organizações e adeptos, unidos na capacidade de desenvolver e manter bem vivo o fenómeno desportivo do ciclismo nesta região.
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