Com a feira de gado como pano de fundo, os correeiros por aqui se estabeleceram nos primórdios da mesma e foram desenvolvendo a sua actividade paralelamente à importância sócio-económica que tudo o que estava, de alguma forma, ligado ao gado assumia na região. Precisamente por o gado não ser apenas alvo de comércio para abastecimento alimentar ou usado como meio de transporte que a importância do ofício correeiro emergiu, os animais eram também a principal força de tracção das alfaias agrícolas e assim era preciso construir arreios, selas, coelheiras, albardas, etc.., tudo obra da competência do mestre correeiro.
Cortando, cosendo, colando o couro (ou material similar), o ofício de correeiro derivou também para o fabrico de acessórios usados pelo homem, nomeadamente de cintos e suspensórios.
O processo de execução de cada peça começa sempre com a escolha do couro que irá servir de base à mesma, depois, a partir dos moldes já previamente feitos e com uma faca apropriada, o correeiro corta, estica e raspa a pele, a fim de lhe diminuir a espessura, a seguir cose com fio apropriado, prensa a peça e bate-lhe com ferramenta adequada, faz depois os vincos com ferro quente ou prensa, limpa, engraxa e dá-lhe o acabamento em jeito de retoque final.
Em tempos presentes o correeiro é cada vez mais identificado como um artesão em vias de extinção, ainda existem alguns em actividade mas o outrora alvo principal do seu trabalho deixou de o ser (o fabrico de acessórios para a actividade agrícola passou a ser praticamente inexistente e estes mestres do couro à maneira antiga subsistem quase por carolice).
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