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As lavadeiras eram normalmente raparigas da região saloia que vinham a Lisboa todas as semanas à casa das suas clientes (de classes sociais mais altas ou mais abastadas) buscar roupa para lavar. Eram oriundas das terras a norte da cidade, principalmente de Caneças, Lousa, Malveira, Terrugem, entre outras. Lavavam a roupa nos rios, nas ribeiras, nos riachos e/ou em lavadouros públicos e transportavam a mesma em trouxas que carregavam à cabeça, em cima do burro, ou em galeras puxadas por mulas, as quais, mais tarde, acabaram por ser substituídas por camiões de caixa aberta, onde viajavam em grupo sentadas em cima das trouxas.
Imortalizada no filme “Aldeia da Roupa Branca” (1938), onde Beatriz Costa brilhou num memorável papel (ela própria uma genuína saloia), a figura típica da lavadeira elevou-se, desde essa altura, ao estatuto de ícone da região. O filme foi rodado por estas paragens e muitas das actrizes/figurantes eram precisamente verdadeiras lavadeiras saloias.
Esta actividade deu, à época, um importante contributo para o sustento de várias famílias, ocupando um número significativo de mão-de-obra feminina. Era junto das ribeiras, rios, etc, que se viam em pleno exercício do seu trabalho e o crescimento desta profissão fez, posteriormente, proliferar os lavadouros públicos e privados onde as citadas lavadeiras, por conta própria ou sob a orientação de outras, procediam à referida lavagem das peças de roupas “que a freguesa deu ao rol”.
Pouco a pouco, e com o aparecimento da água canalizada, as lavadeiras foram desaparecendo enquanto actividade profissional, permanecendo, no entanto, na memória colectiva deste povo.
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