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Em tempos distantes os cavalos ficavam temporariamente inutilizados devido ao desgaste e lesões sofridas nos cascos. Foi essa necessidade de criar uma “protecção” para o nobre e útil animal que fez surgir os ferradores (derivação dos antigos ferreiros, homens que trabalhavam o ferro para os mais diversos fins). O ferrador foi fundamental para a saúde e bem-estar dos cavalos (“meio de transporte” fulcral durante séculos), protegendo, com a colocação das ferraduras que fabricavam, os cascos do animal do contacto directo e constante com o solo (e que inevitavelmente lhes provocaria as tais lesões).
Reza a história que as pessoas tinham de se deslocar com os seus cavalos à oficina do ferrador, senda esta um ponto de encontro onde se ouviam histórias ou se sabiam as últimas novidades da terra. Daqui também nos fica a imagem tradicional do ferrador, à frente de uma enorme bigorna com o seu grande avental de couro, segurando numa mão um martelo e na outra uma ferradura em brasa acabadinha de passar pela forja.
Na Malveira também pontificaram durante anos, especialmente com o crescimento da feira de gado, montando o seu negócio em volta da mesma e atendendo às necessidades das gentes locais e dos muitos forasteiros que por cá vinham de visita (nomeadamente nos tais dias de feira).
No presente a situação é bem distinta e os “ferradores” de hoje em dia renderam-se à evolução tecnológica, muitos deles deslocam-se de carro aos seus clientes onde executam num ápice o trabalho solicitado (tais carros são autênticas oficinas ambulantes, prontas a chegar a qualquer lado e onde existe tudo o que se possa imaginar) e são raros os que fazem as suas próprias ferraduras (feitas em aço, já vêm pré-moldadas de fábricas especializadas e são de forma muito semelhante aos cascos dos animais, para além de permitirem a ajuste a frio, não se torna necessário acender qualquer tipo de forja e garantem a maior rapidez na execução do trabalho).
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