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Há não muitos anos atrás ainda se viam espalhados pelo recinto da Feira, os cesteiros ornamentavam com a sua arte os passeios do mercado apinhado de gente. Trata-se de uma profissão (ou arte, como muitos designam) que foi perdendo seguidores mas que ainda permanece viva nas mãos de alguns “teimosos”.
A arte de criar cestos ou outros utensílios através de materiais trançados é bem mais dura do que aparenta (talvez também por isso não seja tão atractiva, mesmo para quem quisesse optar pela sua exploração num âmbito mais direccionado para o artesanato), a dureza dos materiais usados (basicamente o vime) exige que, para poderem ser utilizados convenientemente tenham que ser manuseados sem luvas (o que provoca nas mãos um inevitável desconforto e consequentes cortes), além de que esses mesmos materiais têm de ser mergulhados em água, o que acentua, sobretudo no Inverno, o nível de desconforto deste ofício. Talvez por isso a cestaria estava destinada aos homens (cabendo às mulheres apenas a preparação do vime ou a execução de pequenos cestos de brincar destinados às crianças)
A matéria-prima mais usada pelos cesteiros é pois o vime, que passa por um conjunto de processos até poder ser utilizado (manuseado) que vai desde o corte e descasque das canas, passando pela respectiva fervedura (que as tornará mais elásticas e fáceis de trabalhar e lhes dá a cor acastanhada) até à secagem final. Na cestaria também podem ser utilizados outros materiais, como o junco, a palha, a cana de bambu, castanheiro, entre outros, mas é sem dúvida o vime o preferido dos cesteiros.
Do cesto de vindima, aos cabazes de almoço e jantar, do cesto para batatas ao cabaz da azeitona, passando pelo cesto de alambique, pelo cesto de pão, pelo seirão (dois cestos interligados por plataforma em vime para o transporte de produtos às costas dos burros), entre outros utensílios, tudo isto o cesteiro sabia fazer e tudo isto se tornou, ao longo do tempo, uma marca de um ofício em vias de extinção.
Hoje por hoje, e com recurso a outros materiais para o fabrico dos objectos em que se baseava esta profissão, a arte da cestaria tende a desaparecer ou a tornar-se meramente residual, no entanto é na Malveira que ainda podemos encontrar um dos últimos “resistentes”, Mário Branco (residente na vila), reconhecido representante desta arte na região saloia.
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