Igreja e tradições
Não há nenhuma sociedade que não tenha passado, ou possa existir sem ele; o passado faz parte do presente e antecipa o futuro. A este passado chamamos-lhe “história”: uma acumulação de factos que marcam a vida de uma determinada comunidade humana. Também lhe podemos chamar “tradição”, a qual constitui o registo de tudo o que de marcante aconteceu nessa mesma comunidade.
A Igreja é uma das instituições com mais história e, portanto, com mais tradições. Algumas delas estão na continuidade das orientações do seu Fundador e Mestre, outras são alternativas nem sempre coincidentes com o verdadeiro espírito do Evangelho.
Deixando de lado as segundas, recordemos algumas das primeiras. A mais marcante é a tradição da celebração dos sacramentos, entre os quais o da Eucaristia. Para a sua celebração, e dos outros sacramentos, têm-se construído ao longo dos séculos muitos templos, maiores ou mais pequenos, mais complexos ou mais simples, mas sempre assimilados afectivamente pelas populações que os utilizam e fazem deles a sua “casa espiritual”.
Na Malveira, quem não conhece a ermida de Nossa Senhora dos Remédios? Situada em lugar cimeiro como que para nos fazer sentir mais perto de Deus, tem sido, provavelmente desde o séc. XVII, centro das tradições religiosas desta terra. O próprio edifício constitui património indelével destas gentes.
A vida religiosa, porém, não pode confinar-se ao interior dos templos. Por isso se fazem romarias, peregrinações, círos, procissões. Eles são uma homenagem prestada a determinado santo, uma súplica para que nos ajude a superar momentos difíceis da vida, uma oportunidade de agradável e são convívio entre os crentes.
As boas tradições são dificilmente esquecidas; e ainda bem! A Igreja, detentora e promotora de muitas delas, revive-as e divulga-as. Não se trata de apego mórbido ao passado, mas de viver o presente e avançar para o futuro com toda a “riqueza” acumulada por aqueles que nos antecederam.
Pe Teodoro Dias de Sousa
|
 |